sábado, 13 de novembro de 2010

Livros versus Filmes

Por CECÍLIA SOUSA
Site Famosidades/MSN

Confira dez livros de grande sucesso que foram adaptados para as telonas

SÃO PAULO - Há quem goste de ler um bom livro, mas há também quem prefira conferir uma aclamada adaptação para o cinema ao invés de folhear as páginas de uma obra. Numa tentativa de agradar a todos os gostos e estilos, diretores e produtores transformaram diversos best-sellers em filmes ao longo das últimas décadas. No entanto, existe aquela velha polêmica de que a história, quando escrita, é sempre muito melhor do que quando transformada num longa. Você concorda? Dentre tantas opções, o Famosidades selecionou dez das adaptações mais conhecidas do cinema mundial. Confira!

Harry Potter: Os sete livros da série que conta a história de um menino que descobre ser bruxo foram escritos pela britânica J.K. Roling e o sucesso obtido nos últimos anos é, de fato, inegável! Trazendo o jovem Daniel Radcliffe na pele do protagonista, os longas se referem aos anos em que Potter estuda na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts e sua luta contra Lord Voldemort, o mais temido bruxo das trevas. Além dos diversos filmes já lançados pela Warner Bros, a franquia garantiu a venda de milhares de brinquedos, revistas, pôsteres, games e, pasmem, até mesmo a criação de um parque temático localizado na Flórida, com lançamento previsto para o mês de junho deste ano. No mundo todo, a saga tem bilhões de fãs que parecem estar se multiplicado aos montes, como num passe de mágica!

O Senhor dos Anéis: A trilogia criada por J.R.R. Tolkien em 1954 fala sobre o "um anel", cujos poderes são inimagináveis. O hobbit Frodo Baggins - interpretado no filme de Peter Jackson por Elijah Wood - é o responsável por destruí-lo, pois a força do objeto é tão grande que é capaz de enlouquecer aquele que o possuir. Para tal é formada uma sociedade entre humanos, elfos e anões, encarregados da segurança de Frodo. Se conseguir concluir a missão de acabar com o "um anel", automaticamente o jovem hobbit põe fim à vida de Sauron, o Senhor das Trevas. "O Retorno do Rei", a adaptação para o terceiro livro da saga, é também o terceiro filme de maior sucesso de bilheteria de todos os tempos!

Crepúsculo: Stephenie Meyer ganhou o coração de milhares de adolescentes em todo o mundo quando criou, em 2005, a apaixonante história de amor entre o sofisticado vampiro Edward Cullen a atrapalhada humana Bella Swan. Três anos depois do lançamento da obra, o longa enfim ganhou sua adaptação para as telonas. Com Robert Pattinson e Kristen Stewart na pele do casal-protagonista, o enredo traz também diversas cenas de ação e aventura, numa batalha emocionante entre o bem e o mal. No entanto, a essência dessa história é o romance "água com açúcar" vivido pelos personagens principais. Para o público teen, com certeza vale a pena!

Marley e Eu: Quem nunca teve um cachorrinho lindo, mas que só causava confusão? É disso que trata o livro de não-ficção escrito por John Grogan, um jornalista norte-americano. O cachorrinho Marley, um enorme labrador que adorava roer qualquer objeto que estivesse em seu caminho, é o protagonista desta história de amor entre um bichinho e seu dono! Tão encantadora, a obra ganhou uma versão para o cinema em 2008, com Owen Wilson no papel do autor e a atriz Jennifer Aniston como sua esposa. Foram 13 anos de muita confusão e histórias para rir ao cuidar de um cãozinho dócil, porém de mais de 40 kg, até que infelizmente chega a sua hora... E esse triste fim é o motivo para tantas pessoas terem saído com os olhinhos cheios de lágrima ao final da sessão de cinema.

O Código da Vinci: Dan Brown acertou na fórmula ao lançar em 2003 aquele que viria a ser um best-seller mundial com mais de 80 milhões de cópias vendidas no mundo todo. O romance policial conta a trajetória de Robert Langdon, um renomado professor de simbologia da Universidade de Harvard, que tem uma missão: descobrir os segredos que esconde a Opus Dei, uma seita pertencente à Igreja Católica. A tarefa, porém, não é nada fácil! Langdon se envolve com diversas pistas, charadas e enigmas complicados para chegar ao seu destino. Em 2006, quando o livro foi adaptado, o consagrado Tom Hanks foi o responsável por dar vida ao protagonista.

O Diário de Bridget Jones: O livro de Helen Fielding deu origem em 2001 a uma comédia romântica britânica, dirigida por Sharon Maguire. Com Renée Zellweger no papel principal, a história traz o dia a dia de uma solteirona de 30 anos. Um pouco cheiinha, Bridget vive se metendo em uma confusão atrás da outra por causa de sua necessidade de encontrar um namorado. Quando nada dá certo, qual a solução? Afogar as mágoas com - muito mais que - um belo pedaço de pizza, seguido por uma deliciosa torta de creme e muito chocolate e sorvete. Para quem não sabe, a atriz precisou engordar mais de 10 kg para viver a gordinha mais querida e atrapalhada do mundo do cinema.

O Fantasma da Ópera: A novela francesa escrita por Gaston Leroux, publicada pela primeira vez em 1910, já ganhou diversas adaptações não só para o cinema, mas também para o teatro, principalmente na Broadway. A história original se passa no século XIX, na mal assombrada Ópera de Paris, segundo seus funcionários. Há um "fantasma" que, quando se apaixona pelo jovem bailarina Christine Daaé, tenta levá-la para o seu "mundo subterrâneo". A adaptação mais atual para o cinema foi dirigida por Joel Schumacher e contou com Gerard Butler (Fantasma) e Emmy Rossum (Christine) no elenco.

O Exorcista: O thriller foi baseado no livro de William Peter Blatty, publicado em 1971, e há boatos de que a história tenha sido baseada em fatos reais, segundo relato de um padre norte-americano que afirmou ter feito o exorcismo de um demônio em um menino de 13 anos em 1949. A história trás a menina Regan, que fica "doente" de forma inexplicável, passando a ter distúrbios paranormais, alterações físicas e ganhando poderes sobrenaturais. O Exorcista fez tanto sucesso que levou duas estatuetas no Oscar de 1974 ("Melhor Roteiro Adaptado" e "Melhor Som"), além de ter recebido outras oito indicações. O filme homônimo foi lançado em 1973 e, mesmo assim, é capaz de causar medo nos espectadores até hoje!

O Segredo de Brokeback Mountain: A autora Anne Proulx lançou pela primeira vez em 1997, na revista The New Yorker, o conto que viria chocar a sociedade em geral e quebrar tabus e paradigmas da época. Durante o verão de 1963, os jovens vaqueiros Jack (Jake Gyllenhaal) e Ennis (Heath Ledger) se conhecem e, depois de muito conviverem a sós, não conseguem controlar a paixão que se estabelece entre os dois. A dramática história de amor vivida pelo casal gay dura mais de 20 anos. Com direção de Ang Lee, o filme (2005) ganhou o Oscar 2006 em três categorias, mas o prêmio mais interessante foi o de "Melhor Cena de Beijo", entregue pelo MTV Movie Awards em 2006.

Planeta dos Macacos: Idealizado pelo escritor francês Pierre Boulle em 1963, o filme conta a história do astronauta Leo Davidson (Mark Wahlberg) que, dentro da espaçonave, sofre um acidente por causa de uma tempestade eletromagnética. O rapaz vai parar num planeta desconhecido, onde primatas vivendo em comunidade dominam a espécie humana, escravizando-a. Leo não concorda com a situação de opressão e, por se tornar uma ameaça à ordem do planeta, passa a ser caçado, causando uma verdadeira revolução naquele mundo. O enredo teve duas adaptações para o cinema: a de Franklin J. Schaffner em 1968; e a mais comum, dirigida por Tim Burton em 2001. Na década de 70, o longa de Schaffner teve ainda quatro continuações.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Luta dos sexos: Mulheres ganham espaço em profissões tipicamente masculinas

Por mais que a sociedade busque a justiça e o ideal de igualdade por anos a fio, essa utopia parece estar cada vez mais longe com o passar dos anos, ao invés deste quadro modificar-se graças ao processo de democracia e ao advento da Internet. Mesmo com a luta das mulheres pelos seus direitos desde a Idade Média até hoje, o desajuste social se mantém firme e forte quando o sexo frágil é comparado ao seu equivalente masculino.

Depois de muito baterem o pé para garantir o direito de usar calças e votar, a nova iniciativa da mulherada é a de buscar condições justas e igualitárias também no ambiente de trabalho. Tal movimento vem se mostrando um tanto positivo, apesar de isto ser apenas o começo de uma grande luta socioeconômica.

Os motivos para tal busca incessante são os mais variados possíveis, desde o simples luxo de mostrar que as mulheres são tão capacitadas quanto os homens, bem como a necessidade de sustentarem sozinhas as suas casas e famílias, por vezes sem a figura de um pai para cabecear e administrar os gastos mensais – como sempre foi durante décadas na sociedade Moderna.

A princípio, as mães de família e mulheres independentes foram conquistando espaços como as grandes empresas, passando a ter tanto ou mais destaque e prestígio que os homens. Mas, como é sabido, o preconceito existe e vários cargos sempre foram chamados de "exclusivamente masculinos".

O termo, o entanto, não intimidou a classe feminina, que se rendeu – com muito esforço e determinação – a profissões como a de caminhoneiras, motoristas de ônibus ou táxi, árbitras de futebol, frentista e mecânicas, sushiwomans, bombeiras, coveiras, pastoras de igreja, eletricistas, a própria área de construção civil e até mesmo o cargo de presidenta - como já ocorreu em diversos países aqui mesmo na América Latina.

É esse tipo de desajuste social que precisa, inclusive, de apoio da população para que o acesso ao emprego seja facilitado às mulheres, sem que haja essa "vista grossa" só porque elas são consideradas mais delicadas e frágeis. Tal afirmação trata-se de uma visão machista, típica da sociedade por muitos anos, mas que já está mais do que na hora de ser combatida.

Estágios não proporcionam boas condições de trabalho aos universitários

O ingresso na faculdade significa, para o jovem de hoje, a oportunidade de crescer profissionalmente. Por meio dos cursos de graduação, os estudantes universitários estabelecem metas e objetivos para a construção de uma carreira sólida e bem administrada. E é a partir das experiências em estágios que eles, cada vez mais preocupados em garantir sua independência financeira, podem começar a traçar a vida de trabalho.

Os estudantes estão sempre cheios de expectativas quanto ao primeiro emprego, idealizando que essa será a grande chance de desenvolver as habilidades que lhes foi teorizada nas universidades. Seus sonhos, porém, acabam lhes frustrando... O administrador deseja estar à frente de uma renomada empresa, o médico quer salvar vidas, o jornalista sonha em escrever para uma revista ou jornal de grande circulação, mas nada disso acontece... E vem a decepção.

Muitas vezes, as oportunidades de estágio não estão de acordo nem mesmo com as leis que regem esse tipo de contratação. Os chefes aproveitam-se dos estudantes para gerar mão-de-obra barata, pagar menos pelas mesmas vantagens que teriam ao contratar profissionais formados, com anos de experiências.

Além de péssimos salários, os estagiários muitas vezes não conseguem garantir seus direitos trabalhistas, tendo de trabalhar além do seu horário, algumas vezes até mesmo no final de semana, sem horário para relaxar e tomar um café, exaustos por causa do expediente.

Há ainda duas outras situações capazes de decepcionar qualquer estagiário: trabalhar numa área com a qual ele não está ambientado, por não se tratar da área na qual ele está estudando, devido à necessidade de garantir sua renda; ou simplesmente não trabalhar – ficar algumas horinhas ali sem receber qualquer função, apenas para cumprir o tempo estipulado pelo contrato, mas sem exercer alguma função. Dois casos simplesmente imperdoáveis de se darem em um estágio, já que sua proposta é fazer o universitário colocar em prática aquilo que as aulas lhe proporcionam.

Os estágios devem ser vistos, no entanto, como uma das melhores formas de fazer o estudante errar e acertar em sua profissão, sempre com o auxílio e apoio de uma pessoa da mesma área, desde que já inserida nessa carreira. O jovem trabalhador, além disso, deve ser respeitado como qualquer outro funcionário em uma organização, visto como um alguém que, futuramente, terá todas as qualificações necessárias para ser um grande profissional, como qualquer outro que já está ali dentro.

domingo, 12 de setembro de 2010

Entrevista: Bianca Rinaldi

Por CECÍLIA SOUSA
Site Famosidades/MSN

Protagonista de "Ribeirão do Tempo", atriz fala sobre carreira e família

Dentre os primeiros trabalhos, Bianca Rinaldi despontou nas telinhas quando deu vida à personagem Ludmilla Lópes, em 2001, na novela "Pícara Sonhadora". Na pele de uma jovem batalhadora, a atriz ganhou no SBT o espaço que precisava para crescer na carreira.

"Com a Mila Lópes comecei a adquirir experiência como atriz e protagonista. Gravava muitas cenas por dia, o que exige muita concentração", contou a loira, conhecida ainda por ter atuado em "A Escrava Isaura", "Prova de Amor" e "Caminhos do Coração", todas da Rede Record, onde ela trabalha até hoje.

Bianca aproveitou a deixa para falar ainda do seu papel atual, como a poderosa Arminda na novela "Ribeirão do Tempo", na emissora de Edir Macedo: "Arminda é uma pessoa fria, objetiva, arrogante, totalmente voltada ao trabalho e aos seus objetivos pessoais".

Como protagonista da trama, criada por Marcílio Moraes, ela tem contracenado com Caio Junqueira. Em entrevista ao Famosidades, ela contou que seu trabalho é nada menos que "uma rotina de muito trabalho e diversão".

Confira na íntegra a entrevista com Bianca Rinaldi, que não deixou de falar a respeito dos anos de carreira, bem como a nova vida como mamãe e o atual projeto de trabalho na Rede Record.

FAMOSIDADES – Sua personagem é Arminda, uma alta executiva na novela "Ribeirão do Tempo", substituta de "Poder Parelelo" na Record. Como é a personalidade dela?

BIANCA RINALDI – Arminda é uma pessoa fria, objetiva, arrogante, totalmente voltada ao trabalho e aos seus objetivos pessoais.

Como protagonista, a poderosa Arminda se apaixonará por Joca, um rapaz simples. Como é contracenar ao lado de Caio Junqueira? Como se dará o romance entre dois personagens de origem diferente?

O Caio é uma pessoa generosa e amiga. Entre Arminda e Joca existe muita paixão, romance e muita comédia.

Qual a importância de Arminda no desenrolar da trama de Marcílio Moraes?

Arminda e Joca são os pilares da novela. Ela, encabeçando a construção do grande empreendimento em "Ribeirão do Tempo" e, ele, tentando desvendar os assassinatos misteriosos que estão ocorrendo na cidade. Ela tentando resistir a essa paixão e ele tentando conquistar de vez o coração dela.

Como anda a sua rotina de gravação em "Ribeirão do Tempo"? Quando tempo se dedica diariamente às gravações?

Uma rotina de muito trabalho e diversão. O tempo de dedicação às gravações vai de acordo com o roteiro. Posso gravar o dia inteiro como posso ficar um dia sem gravar, depende da necessidade.

Para compor a personagem, você precisou clarear bastante os cabelos, além de deixá-los bem lisos e curtinhos. Como se sentiu com a mudança drástica? Demorou muito para se acostumar? Aprovou o novo look?

A mudança faz parte da minha profissão. Não tenho problemas com isso, claro que estranhei um pouco, mas gostei e me adaptei rápido.

A personagem Mila Lópes, da novela "Pícara Sonhadora" (exibida em 2001, pelo SBT), foi sua primeira protagonista. Na sua opinião, qual a importância deste papel, desde então, para a sua carreira?

Com a Mila Lópes comecei a adquirir experiência como atriz e protagonista. Gravava muitas cenas por dia, o que exige muita concentração.

Tanto na novela "A Pequena Travessa", do SBT, quanto em "Os Mutantes - Caminhos do Coração", você protagonizou dois papéis ao mesmo tempo. De onde você tira tanta energia para trabalhar dobrado e o que achou da experiência?

Amo o que faço!!!! São experiências únicas na minha vida.

No ano de 2004, você mudou de emissora, deixando o SBT para integrar o elenco de "A Escrava Isaura" (da Record, onde está até hoje). Como foi esse desligamento com a emissora de Silvio Santos?

No SBT meus contratos foram só por novela, não teve nenhum desligamento.

Nas novelas de Tiago Santiago ("Caminhos do Coração" e "Os Mutantes - Caminhos do Coração"), você precisou trabalhar o tempo todo com os efeitos especiais. De que maneira isso dificulta na hora do trabalho e como você driblou tal dificuldade?

Até aprender e entender como se grava com efeitos especiais, existe uma dificuldade de encaixar o emocional com o efeito, mas depois que se aprende fica mais fácil.

De todos os trabalhos que realizou na TV até hoje, qual a sua personagem favorita e por quê?

Tenho carinho por todos os personagens.

Em novelas como "Pícara Sonhadora", "A Escrava Isaura" e "Caminhos do Coração", seu trabalho com certeza contribuiu para alavancar a audiência das emissoras SBT e Record. Qual a sensação de saber que seu trabalho como atriz é bastante reconhecido pelo público?

É gratificante, faço meu trabalho para o telespectador e se eles gostam, fico muito feliz.

Em agosto de 2006, você fez um ensaio sensual para a revista VIP. Hoje em dia, você aceitaria uma nova proposta, seja da VIP ou de outra publicação?

Depende do momento, da proposta.

Segundo entrevista à revista "Contigo!", você engravidou por inseminação artificial. Você e Eduardo estavam bastante ansiosos para ter um filho? (no caso, duas!)

Fizemos in vitro porque tivemos que fazer, não foi por ansiedade. E ansiedade não faz bem a ninguém. Para nós foi tudo muito tranqüilo.

Suas filhas, as gêmeas Beatriz e Sofia, completaram no semestre passado um aninho de idade. Como foi a comemoração para o dia 10 de maio?

Elas fizeram um aninho, foi lindo. Juntei meus amigos e comemoramos o aniversário delas. Elas adoraram.

Por falar nas meninas, qual a experiência de ser mãe de gêmeas? Como é a rotina de trabalhar na TV e ainda ter duas meninas muito pequenininhas para cuidar?

É uma delícia, às vezes me desdobro para conciliar minhas coisas com minhas filhas, no final da tudo certo. Meu dia é sempre muito feliz, graças a Deus.

E o papai Eduardo Menga? Como ele costuma ajudar na hora de cuidar das pequenas?

Eduardo está sempre pronto para ajudar, se diverte com as filhas. É um paizão e um maridão.

domingo, 15 de agosto de 2010

Singela parceria

Cecília Sousa
Renata Gonçalves

Seu nome era José. Zé para os íntimos. Apesar de suas roupas sujas e remendadas e de sua aparência bruta, era um homem de semblante calmo e que transparecia sensibilidade no seu olhar.

Pés descalços e maltratados, calças pula-brejo feitas de sacaria, canelas finas... O maranhense era realmente um magricela – mais parecia uma lombriga! Com a camisa aberta para evitar o calor do fim da tarde, Zé tinha mãos calejadas, o que evidenciava o seu ofício. Artesanato.

Vivia numa simples casa de pau-a-pique, fruto de muito suor e trabalho. A moradia ficava bem próxima à praia, onde costumava vender suas peças. Marido de Antonia. Se apaixonaram em um verão e, meses depois, juntaram seus trapos – que eram poucos – por conta do bucho inesperado da moça.

Hoje, com seis filhos, o casal continua a vender seus artesanatos pela cidade. Ele, esculturas. Ela, bordados. Zé costumava ficar na pracinha principal, um dos pontos turísticos mais visitados em época de férias. E foi ali que eu o conheci.

“Moço, quanto que tá esse casal de elefantes? Quero levar para a minha mãe, que mora no interior de Minas.” O pobre homem levantou o olhar e, com um sorriso no rosto, disse que os objetos custavam muito menos do que eu esperava. Uma bagatela perto do valor simbólico que tais esculturas mereciam.

Fiquei impressionado com a capacidade que Zé tinha de esculpir animais de todos os tipos em simples espigas de milho. “Onde foi que você aprendeu?”, quis saber. Ele me explicou que aprendeu a técnica com o seu pai, quando ainda era um menino. De família muito pobre, eles só tinham milho, cultivado por eles, para comer. Era preciso ter mais um ganha pão: com as sobras, esculpiam desde animais a pessoas.

Ainda impressionado com o dom de transformar algo tão banal em arte rica de detalhes, perguntei como era possível esculpir em restos de comida um elefante tão fiel à realidade. “Apenas tirei o que não era elefante”. É incrível como, depois que conheci o Zé, eu passei a ver a vida de uma maneira mais simples.